Semana 06 - Trabalho e Energia Cinética:¶

Lista de Tópicos:¶

  1. Revisão Histórica.
  2. Trabalho de uma força (definição sumária).
  3. Função do produto escalar no trabalho de uma força.
  4. Elevando uma carga usando uma prancha rígida.
  5. Teorema trabalho e Energia Cinética como corolário da 2ª Lei de Newton.

Revisão Histórica.¶


Tópicos:

  • Galileu (1564-1642) - Ideias sobre quantidades conservadas(ímpeto).
  • Newton (1643-1727) - Não toca no assunto Energia, Princípia 1713 - 1726
  • Seguidores de Decarter (Anos iniciais de 1700) - Momento = Energia?
  • Leibniz (1646-1716) - Demonstra que Energia vai com v²
  • Gaspard de Coriolis (1792-1843) - Comecemos por aqui.

Trabalho de uma força. ¶


Definimos o trabalho (Work) infinitesimal de uma força como,

$$dW = \vec{F}\cdot d\vec{l}\quad.$$¶

Qual significado dessa proposição?

Qualquer visão mais detalhada de $d\vec{l}$, pprecisa da especificação de um sistema de coordenas (SC),

* No SC Cartesiano 2D, $d\vec{l}=dx\;\hat{x}+dy\;\hat{y}$¶

* No SC Polar, $d\vec{l}=dr\;\hat{r}+r\;d\theta \;\hat{\theta}$¶

* Sobre uma circunferência vale, $d\vec{l}=R\;d\theta \hat{\theta}$¶

Como usar essa proposição?

Agora devemos somar todas as contribuições infinitesimais ao longo da trajetória, ou seja devemos integrar no caminho da trajetória.

$$W=\int_c\;\vec{F}\cdot d\vec{l}$$¶

Essa definição crua deve ser avaliada caso a caso conforme a força e a tranjetória.

Exemplo trivial: Trabalho realizado por uma mola. ¶


drawing
$$\vec{F}(x)=-k\;(x-x_0)\hat{x}$$

Podemos escolher o zero do eixo x sobre o ponto de equilíbrio da mola, $x_0=0$, então $\vec{F}(x)=-k\;x\hat{x}$ e $d\vec{l}=dx\;\hat{x}$.

Então trata-se de um movimento 1D, em linha reta, então a integral de caminho fica reduzida a uma integral convencional,

$$ W_{mola}=\int_{x_i}^{x_f}\; -k\; x\; dx=-\frac{1}{2}k\;x^2|_{x_i}^{x_f}=\frac{1}{2}k\;x_i^2-\frac{1}{2}k\;x_f^2$$¶

Função do produto escalar no trabalho de uma força.¶

Apenas a componente da força que está na mesma direção do caminho realiza trabalho.


Nada muda de fato, mas isso mostra de forma mais clara qual parte da ação realiza trabalho.

$$dW=F_\parallel\;dl$$
¶

Essa informação facilita a resolução de diversos problemas.

Exemplo (quase) trivial: Forças em um plano inclinado rígido. ¶


Considere um bloco empurrado para cima em um plano inclinado sem atrito. O plano tem inclinação $\theta$ em relação a horizontal e a força adicional é exercida com uma direção $\phi$ em relação a horizontal.

Para cada força presente no corpo, encontre a componente paralela ao movimento:

In [4]:
#Figura do plano com as forças e um sistema de coordenadas pouco vantajoso.
fig
Out[4]:

Primeira solução, só usa matemática (Geometria e Cálculo). $\hat{r}$ ¶


Colocado nesses termos, $d\vec{l}=dx\;\hat{i}+dy\;\hat{j}$. Mas claramente essa é uma curva $y(x)=tg(\theta)\;x+c$.

Portanto,

$$d\vec{l}=dx\;\hat{i}+tg(\theta)dx\;\hat{j}=(\hat{i}-tg(\theta)\hat{j})dx$$

Agora temos de encontrar o vetor unitário paralelo a $d\vec{l}$. Para isso podemos dividir o vetor ai de cima pela norma (alunos devem fazer).

$$\hat{l}=cos(\theta)\hat{i}-sen(\theta)\hat{j}$$¶

Agora vamos ver o que ocorre para cada força.¶

Peso¶

  • $\vec{P}=-P\;\hat{j}\Rightarrow -P\;\hat{j}\cdot (cos(\theta)\hat{i}-sen(\theta)\hat{j})\Rightarrow $

$$P_\parallel=P\;sen(\theta)$$¶

Normal¶

  • $\vec{N}=N\;sen(\theta)\hat{i}+N\;cos(\theta)\hat{j}\Rightarrow N(sen(\theta)\hat{i}+cos(\theta)\hat{j})\cdot (cos(\theta)\hat{i}-sen(\theta)\hat{j})=0$

$$N_\parallel =0$$¶

Força aplicada (nesse momento pouco importa se é ou não constante).¶

  • $\vec{F}=-F\;cos(\phi)\hat{i}+F\;sen(\phi)\hat{j}\Rightarrow$

$F(-cos(\phi)\hat{i}+sen(\phi)\hat{j})\cdot(cos(\theta)\hat{i}-sen(\theta)\hat{j})\Rightarrow$

$F_\parallel=-F(cos(\phi)cos(\theta)+sen(\phi)sen(\theta))= - F\;cos(\theta-\phi)$

$$F_\parallel=- F\;cos(\theta-\phi)$$¶

Vamos modificar o sistema de coordenadas para um que se acopla ao plano inclinado e ver o que mudará no problema.¶

In [7]:
#Diagrama de corpo livre, e um sistema de coordenadas vantajoso.
fig
Out[7]:

Segunda solução quase integralmente baseada no desenho. ¶


$d\vec{l}=dx\hat{x}$, então a direção em que deve ocorrer a projeção é $\hat{x}$.¶

  • Imediatamente temos que por $\vec{N}=N\hat{y}\Rightarrow$

$$N_\parallel=0$$¶

  • Para o peso

$\vec{P}=P\;sen(\theta)\hat{x}-P\;cos(\theta)\hat{y}$,

imediatamente se obtém

$$P_\parallel=P\;sen(\theta)$$¶

  • $\vec{F}=-F\;cos(\theta-\phi)\hat{x}-F\;sen(\theta-\phi)\hat{y})$, e imediatamente se obtém,

$$F_\parallel = -F\;cos(\theta-\phi)$$¶

Os resultados importantes para o trabalho de uma força (o próprio trabalho inclusive) são independente do sistema de coordenadas adotado.¶

Teorema trabalho e Energia Cinética como corolário da 2ª Lei de Newton.$ ¶


Da segunda Lei de Newton,

$$\vec{F}=m\;\vec{a}\quad.$$

Vamos aplicar essa força continuamente ao longo de uma trajetória qualquer,

Usando a segunda Lei de Newton dentro do conceito de trabalho de uma força,

$$dW= \vec{F}\cdot d\vec{l}=m\;\vec{a}\cdot d\vec{l}\quad,$$¶

mas note que $\frac{d\vec{l}}{dt}=\vec{v}$, então $d\vec{l}=\vec{v}dt$, portanto,¶

$$\vec{a}\cdot d\vec{l}=\frac{d\vec{v}}{dt}\cdot \vec{v}dt=\vec{v}\cdot d\vec{v}$$

O produto $\vec{v}\cdot d\vec{v}$ parece suspeito, ele parece a parte de uma derivada do produto.

$$d(\vec{v}\cdot \vec{v})=\vec{v}\cdot d(\vec{v})+d(\vec{v})\cdot \vec{v}= 2 \vec{v}\cdot d\vec{v}\quad,$$

Mas $\vec{v}\cdot \vec{v}=v^2$, então

$$\frac{d(v^2)}{2}=\vec{v}\cdot d\vec{v}\quad \Rightarrow \quad \vec{a}\cdot d\vec{l}=\frac{1}{2}d(v^2)\quad,$$¶

Concluimos que,

$$dW= \vec{F}\cdot d\vec{l}=\frac{m}{2}d(v^2)$$¶

Agora devemos somar todas as contribuições infinitesimais ao longo da trajetória, ou seja devemos integrar no caminho da trajetória.

$$W=\int_c\;\vec{F}\cdot d\vec{l}=\frac{m}{2}\int_c\;d(v^2)=\frac{1}{2}m\;v_f^2-\frac{1}{2}m\;v_i^2$$¶

Definimos a Energia Cinética (kinetic energy),

$K=\frac{1}{2}m\;v^2\quad,$¶

Portanto,

$$W=\Delta K$$¶

Esse é o teorema do Trabalho e Energia Cinética. ¶

Obrigado a todos pela presença.¶